Precipitei-me nas decisões que tomara, nas renúncias que escolhera. Da vida, pouco levamos, contudo, somos levados por muito pouco. Carrego lembranças esfumaçadas e insignificantes para alhures, mas de valor pleno para mim. Trago desejos personificados, sujeitos multifacetados; conjugo sem saber, o verbo "viver" e esqueço-me das angústias de outrora.
Realidade dissipada. Caminhos percorridos, personas escolhidas. Dentre os córregos mais distantes, vislumbro as correntezas mais pulsantes; o perigo constante, essa farsa imediata, uma sabedoria errante. Vive-se aqui, morre-se ali, dos moribundos aos heróis; dos racionais aos passionais; dos amedrontados aos corajosos; afinal, vive-se e morre-se, em cada fragmento, em cada momento, uma desintegração sóbria de nós mesmos.
Loucura discreta, nessa poesia indireta. Uma sobriedade irreal, destreza fatal. Conheço, através dos sussurros, o silêncio pronunciado e especulado em uma fração de segundo; estremeço-me, reflito-me, questiono-me; pormenores escassos e pouco elucidadores, dos vestígios da reflexão solitária.
Somente quando o último dos seres sucumbir ao próprio desespero, quando apenas a última das estrelas explodir sob o chão de concreto, direi, para que ninguém mais possa escutar, a verdade mais insólita que sequer o mais solitário dos seres seria capaz de conceber: Estou só.
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